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Meu nome é Renato Laurenti, mas sou mais conhecido como Repórter SACI. Antes de tornar-me tetraplégico devido a um acidente de carro, há 19 anos, não reparava nas barreiras físicas que podem impedir o acesso de pessoas com outras necessidades, que não precisam ser referentes apenas à deficiência. Gestantes, idosos, pessoas obesas ou com problemas cardíacos também podem se beneficiar de adaptações, como rampas ao invés de degraus, banheiros com barras e vaso sanitário na altura correta. Estes são apenas alguns exemplos de uma tendência chamada Design Universal, que prega que todos tenham condições iguais de utilizarem-se de um espaço, afinal, não existe uma pessoa igual a outra.
Não basta apenas inserir esses elementos a esmo, é necessário que os padrões sejam obedecidos. Aqui no Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT já tem um estudo publicado que orienta como fazer as adaptações da maneira correta. No último mês de abril, encerrou-se a atualização destas normas, que agora estão bem mais abrangentes. Infelizmente, elas só podem ser adquiridas mediante o pagamento de uma taxa, o que acaba restringindo a divulgação.
Já disse que sou conhecido como Repórter SACI, mas ainda não expliquei o que faço. Acho que já deu para perceber que minha atividade está ligada à acessibilidade, não? Atuo como investigador das condições de acessibilidade de lugares públicos e privados para uma rede eletrônica de informações sobre a questão da deficiência, a Rede SACI - www.saci.org.br . As atividades se dão principalmente pela Internet, com a divulgação de notícias, artigos, eventos na área da deficiência. O objetivo da Rede SACI é por meio da divulgação de informações auxiliar na inclusão social das pessoas, isto é, no ambiente escolar, no mercado de trabalho, nas novas tecnologias. Enfim, acreditamos na acessibilidade como um todo.
Nas mais de 80 matérias que já escrevi, foram poucas as vezes que pude elogiar algum espaço bem adaptado. Quase sempre, quando existem adaptações, elas não respeitam as normas de acessibilidade. Pude constatar que, de modo geral, são feitas considerando apenas a deficiência física, esquecendo-se de outras, como a auditiva e a visual.
A ausência de adaptações que sigam as normais se deve, principalmente, à falta de informação tanto da população, quanto do próprio Poder Público. Dessa maneira, constrõem-se preconceitos e mitos a cerca da figura do deficiente. Por exemplo, tem-se no imaginário da sociedade que o deficiente não gosta de sair de casa. Na verdade, o que acontece é que por falta de condições de acessibilidade - seja no transporte público, em edifícios ou em áreas de lazer - torna-se complicado para que a pessoa com deficiência se locomova. Por isso, ela própria acaba sentindo-se improdutiva. Se nem consegue se vestir sozinha, como ela seria capaz de estudar ou trabalhar?
Porém, esta situação vem mudando ao longo dos últimos quatro anos. Os meios de comunicação, dotados da tarefa de fiscalizar e exigir o cumprimento dos direitos e deveres dos cidadãos, abriram-nos espaço e possibilitaram que a temática da deficiência fosse amplamente divulgada. E todos sabemos que a informação é o primeiro passo para o fim de preconceitos.
Até mesmo as pessoas com deficiência que não tinham consciência de seus direitos - garantidos por leis - passaram a exigir que eles fossem cumpridos, o que não é pedir demais. Só queremos nosso direito de ir e vir. Vale ressaltar o recado que sempre dou: "Saiam de casa. Sejam vistos". E aproveitem os passeios para escreverem sobre as condições de acessibilidade que encontrarem pela frente. Essa também é uma maneira de pressionar a sociedade. O Repórter SACI Voluntário é o espaço que a Rede SACI oferece para que todos - mesmo não-deficientes - contribuam para a construção de uma sociedade inclusiva.
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