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Chamo-me José Moreira e sou invisual. Ceguei
com sete anos com uma granada. A PARTIR DE ENTÃO, A MINHA
VIDA PASSOU A PERTENSER A UM GRUPO DE PESSOAS QUE LUTA, SISTEMÁTICAMENTE,
PELA IGUALDADE. Por sermos uma minoria, vimo-nos obrigados a passar
vida a provar às pessoas ditas normais, que embora tenhamos
uma maneira diferente de ver o mundo, temos com o mesmo direito a
partecipar no desenvolvimento da sociedade e do meio ambiente. Isto é,
quando nos preocupamos e reclamamos com alguma coisa que não
esteja correctamente bem feita, não é por sermos revoltados
ou por complexo do nosso problema, mas sim por termos uma visão
muito mais âmpla das dificuldades que nos provoca a falta de
organização urbanística.
Enquanto a deficiência não nos bate à porta, ignoramos,
completamente, as barreiras que vão surgindo no nosso dia a dia. Quem à que
nunca teve de se desviar, para a estrada, por o passeio estar ocupado com caichotes
do lixo, paineis de publicidade, bancos, parcómetros, buracos, ramos
de árvores ou de arbustos, ou dificuldade em saber se o semafro está vermelho
ou verde quando lhe está a bater o sol? Mas se todos tivessem sinais
sonoros, não facilitava só quem não vê, mas sim
a todos. E no entanto, lá continuamos nós, aos encontrões
a eles.
É certo que tudo isto dificulta muito mais às pessoas portadoras
de deficiência, mas é bem verdade que também perturva a qualidade
de vida de todas os outras.
Se assim é, está mais do que na hora, de se deixar de apontar
o dedo aos deficientes quando se fala da acessibilidade. Pois ela é,
de todos e para todos.
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