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Quer levar Estado a tribunal por não derrubar
barreiras
Adesão à RCVM
O Estado português poderá ser processado por não
ter eliminado as barreiras arquitectónicas em edifícios
de uso público na Figueira da Foz. Uma cidade que ainda há
pouco tempo aderiu à Rede de Cidades e Vilas com Mobilidade. Uma
cidadã portadora de deficiência motora admite a possibilidade
de avançar com uma queixa contra o Estado que, há sete anos,
se comprometeu, através do decreto-lei 123/97, na eliminação
de barreiras arquitectónicas em equipamentos colectivos ou na via
pública. Esse período já expirou e "pouco ou
nada foi feito". "O Estado não cumpriu com o compromisso
que assumiu perante os deficientes portugueses", acusou Manuela Cardoso.
Esta figueirense, enfermeira, tinha 24 anos quando um acidente de automóvel
lhe sentenciou o destino, atirando-a para uma cadeira de rodas, onde se
desloca
desde há 14 anos. Hoje, a vida "é muito complicada"
e as barreiras arquitectónicas no edifícios públicos
locais "não ajudam na-da". "É muito aborrecido.
Quero ir a algum lado, tenho que pedir ajuda e ainda por cima tenho de
lidar com a falta de civismo das pessoas que, por exemplo, ocupam os lugares
de
estacionamento reservados a deficientes" disse, com um sentimento
de "revolta".
Manuela Cardoso lança ainda um apelo. "Para que a minha intenção
não vá parar a saco roto, é preciso que outras pessoas
e as associações que nos representam se movimentem e formalizem
mais queixas contra o Estado" referiu.
Não é difícil constatar a dura realidade de um deficiente
motor na Figueira da Foz, quando pretende deslocar-se às principais
instituições públicas. Nos
tribunais (de Trabalho e Civil), nas Repartições de Finanças
(Figueira e Buarcos), no Registo Civil, no Posto de Correio junto ao Jardim
Municipal, em
certas juntas de freguesia e em alguns centros de saúde do concelho
faltam acessos, colocando muitos entraves à mobilidade dos deficientes
motores que,
no concelho, serão "perto de um milhar". "O que
não compreendo é como é que a Câmara continua
a licenciar obras e construções sem acessos, sem elevadores
e sem casas de banho pró- prias para deficientes",desbafou.
"Falta sensibilidade".
Integração
A Figueira integra, desde Julho, a Rede de Cidades e Vilas com Mobilidade.
A Câmara tem três anos para eliminar barreiras junto a escolas,
Bairro Novo e
zona nobre da cidade.
Resolver problemas
Com o contrato-programa, acordado, a Câmara Municipal da Figueira
da Foz propõe-se resolver "70% dos problemas detectados na
área proposta de intervenção".
Fonte: Jornal de Notícias
Data: 23/08/2004
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