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Docentes portuguesas lançam manual para ensinar crianças disléxicas


Silabário terá no mínimo 12 volumes e vai ajudar milhares de crianças com dificuldades de aprendizagem Foram ontem lançados, em Coimbra, os dois primeiros volumes do Silabário, uma obra destinada a apoiar a aprendizagem de crianças com dislexia - dificuldades de aprendizagem da leitura e da escrita. Um problema que afecta cerca de dez por cento das crianças portuguesas em idade escolar.
Os dois volumes (custam 28 euros) foram lançados no âmbito do XI Seminário de Desenvolvimento dedicado à criança disléxica, organizado pelo Hospital
Pediátrico de Coimbra (HPC), e que hoje termina. Dentro de um mês serão lançados novos volumes do Silabário, dedicados a etapas mais complexas da aprendizagem, prevendo-se que a obra, no seu conjunto, venha a ter pelo menos doze volumes.
O Silabário baseia-se num método criado por duas psicólogas educacionais, Paula Teles e Leonor Machado, elas próprias ex-disléxicas. A obra tem por base o método de ensino Distema, acrónimo de Dislexia, Teles e Machado. Segundo Paula Teles, o Distema é inovador, já que é o primeiro do género em Portugal, embora já exista em outros países, como os EUA ou a Inglaterra, "e tem sido bem aceite pela comunidade científica".
A obra agora publicada é o produto de "algumas décadas de trabalho" e surge na sequência da falta de materiais educativos específicos para crianças disléxicas. "Nós fazíamos os materiais e dávamos às crianças e aos pais, entretanto, fomos sendo pressionadas para publicar", recorda Paula Teles.O Distema é um método de ensino da leitura e escrita multisensorial.
"Simultaneamente, a criança activa todos os sentidos - ouve, vê e faz o gesto identificador de cada fonema, porque o problema da dislexia é um défice fonológico", explica a psicóloga educacional. "Ao utilizar os vários circuitos neurológicos a criança memoriza mais facilmente", reforça Paula Teles.

Pais baixam expectativas

Na abertura do seminário foi apresentado um estudo realizado no Centro de Desenvolvimento da Criança do HPC. A observação decorreu entre 2000 e 2004, envolveu 150 crianças - a maior parte rapazes (74 por cento) - com uma idade média de 10 anos e oriundas de todo o país, embora com prevalência na região Centro. Trata-se de crianças com um coeficiente de inteligência normal, mas a dislexia faz com que chumbem (79 por cento) nos primeiros anos de aprendizagem.Dois terços das crianças observadas apresentavam problemas de linguagem e 73 por cento evidenciavam também dificuldades na aprendizagem da aritmética. Em 73 por cento dos casos surgiram associadas à dislexia a hiperactividade, défice de atenção e impulsividade.
Perante a dislexia, os pais tendem a baixar as suas expectativas em relação aos filhos e, neste caso, 49 por cento mostraram-se satisfeitos, caso eles conseguissem concluir o 9º ano. Da parte dos alunos disléxicos, as dificuldades de aprendizagem de que padecem parecem não os desmoralizar, uma vez que 71 por cento afirma gostar da escola e, na sua maior parte, esse sentimento é extensível ao professor.

Fonte: Jornal Público
Data: 14/03/2005