INFORMAÇÃO

Prémio Engenheiro Jaime Filipe 2003

Um sistema de introdução de escrita para pessoas portadoras de deficiências visuais recebeu o prémio Engenheiro Jaime Filipe 2003 promovido pelo Instituto de Solidariedade e Segurança Social.
Num caso concreto os utilizadores vão poder enviar e receber mensagens escritas com a ajuda de um teclado Braille e de um sistema de alta voz.
Em Portugal existem cerca de 160 mil pessoas deficientes visuais.
Os cegos e amblíopes têm já algumas facilidades no que respeita à sua mobilidade mas em relação às novas tecnologias ainda há um longo caminho a percorrer.
O uso dos telemóveis é uma das áreas onde os deficientes visuais sentem mais dificuldades e enviar e receber mensagens escritas é praticamente impossível, a não ser que existam software e interfaces que facilitem a tarefa.

O professor Carlos Bastardo é invisual mas com a ajuda de um sistema desenvolvido pelo Inesc já consegue enviar mensagens escritas para telemóveis. A interface funciona num computador de bolso e com a ajuda de um teclado Braille e de um sistema de alta voz Carlos Bastardo consegue saber o que está a escrever.
O software baseia-se nos modelos de Markov, que permitem antecipar o caracter ou palavra pretendido pelo utilizador.

Para estas pessoas é uma ajuda preciosa. Para Carlos Bastardo “este sistema permite enviar mensagens escritas mas também organizar toda a agenda telefónica, uma operação que era impossível até agora”.

Pedro Branco e André Campos desenvolveram o sistema quando estavam a trabalhar no projecto final de curso no Instituto Superior Técnico. Dois anos depois estão a tentar levar a interface para ao mercado.
Os fabricantes de tecnologia foram os principais contactos para colocar o sistema no mercado mas André Campos afirma que “estamos a tentar negociar um acordo com os operadores para disponibilizar este software acoplado a um aparelho PDA que tenha preços acessíveis e possa ser adquirido pela maioria das pessoas”.
Mesmo com o sistema em fase de desenvolvimento os dois ex-alunos do Técnico já pensam em futuras aplicações. Uma delas é “um sistema de navegação urbana por GPS”.

Enquanto esta nova etapa ainda não está em funcionamento, torna-se fundamental que a interface de introdução de escrita amadureça e fique disponível no mercado para que os cidadãos com necessidades especiais ao nível da visão possam usufruir destas inovações tecnológicas. Esperemos agora que este sistema fique disponível em português e não em brasileiro como funciona agora no protótipo.

TEXTO: Fernando Paula