Hospitais falham na acessibilidade

O Hospital Magalhães Lemos tem os piores acessos para deficientes, segundo um estudo realizado pelo Provedor dos cidadãos com deficiência a dez instituições de saúde do Porto. Um elevador inactivo e as barreiras arquitectónicas, esquecidas pelas recentes obras, foram as razões apontadas por João Cottim para esta classificação. No outro extremo, encontra-se o Hospital da Prelada, que é apontado como um exemplo a seguir.

Ao nível dos centros de saúde, destacam-se, pela positiva, o da Foz e o do São João, e, pela negativa, o da Batalha e de Aldoar. O estudo abrangeu também os hospitais Joaquim Urbano, Santo António, Maria Pia e o Militar D. PedroV.

As visitas realizadas por João Cottim pretendiam fazer o levantamento dos equipamentos de saúde na cidade do Porto e observar as suas possibilidades em termos de funcionalidade e bem-estar. "Para além das questões físicas, há que tratar das questões de mentalidade" garante o provedor, enquanto se queixa de alguma incompreensão por parte dos técnicos de saúde. O principal problema detectado por esta análise prende-se com a antiguidade da construção dos edifícios, que, na sua maioria, datam dos anos 50 e 60. O provedor mostrou-se descontente com a Administração Regional de Saúde do Norte que se mostrou indisponível para o receber, tendo apenas respondido ao pedido de audiência a três dias do final da iniciativa.

Fonte: Jornal de Notícias
Data: 05/03/2005

 
     
 
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Uma Casa do Futuro para Todos
Projecto de acessibilidade para sensibilizar cidadãos, empresas e instituições

A Casa do Futuro Interactiva vai tornar-se acessível: esta "exposição permanente" do Museu das Comunicações, em Lisboa, vai sofrer alterações e actualizações tecnológicas de forma a ficar apta para pessoas com necessidades especiais. O objectivo principal é sensibilizar os visitantes para a realidade dos cidadãos idosos, portadores de deficiência ou mesmo temporariamente doentes. A nova Casa do Futuro Acessível será inaugurada no próximo dia 17 de Maio, o Dia Mundial das Telecomunicações.

Tal como existe hoje, a Casa do Futuro Interactiva nasceu há cerca de um ano por iniciativa da Fundação Portuguesa das Comunicações (FPC) e da TV Cabo, envolvendo já mais de 40 parceiros. É uma casa - com sala, cozinha, quartos e casa-de-banho - instalada dentro do museu, com inúmeras soluções de automação doméstica mas também de comunicações e entretenimento, incluindo uma caixa do correio "inteligente", televisão interactiva, electrodomésticos "inteligentes", um aspirador-robô, um Aibo (o canino robótico da Sony) e até um jardim virtual interactivo.

Para além da acessibilidade, ainda que relacionado com esta, a Casa deverá contar agora com outro grande "upgrade": a introdução de comandos por voz nos vários equipamentos. "A concretização vai depender da resposta dos nossos parceiros", adiantou a Computadores Álvaro Peixoto, administrador da TV Cabo Interactiva. A integração através da utilização de comandos universais está igualmente prevista - para acabar com a miríade de controlos remotos que existem para os diferentes aparelhos.

Ainda neste ano, os visitantes deverão poder contar também com aplicações de realidade virtual. A Associação para o Desenvolvimento das Telecomunicações e Técnicas de Informática (Adetti), centro de investigação associado do ISCTE com uma linha de investigação em multimédia e ambientes virtuais, é um dos parceiros nesta área. Mas o projecto Casa do Futuro está, em permanência, aberto a outras entidades e empresas interessadas em participar.

O projecto de acessibilidade da Casa passa sobretudo por dois grandes acréscimos: o novo quarto dos avós e as modificações que serão efectuadas no quarto do jovem. Mas também haverá novidades noutras zonas. Inicialmente, a ideia era apenas criar um "quarto da avó" mas Clara Cidade, responsável pelo projecto, considerou que "não fazia sentido um quarto 'acessível' numa casa 'não acessível'". A directora do gabinete para clientes com necessidades especiais da PT Comunicações nunca tinha estado na Casa e foi "apanhada neste processo com este convite". Para Gonçalo Areia, presidente da FPC, Clara Cidade traz à Casa "um serviço de grande nobreza social".

O objectivo é aproveitar a função educativa da Casa do Futuro no sentido de sensibilizar os visitantes "para a realidade das pessoas com necessidades especiais", considera a responsável. São várias as soluções de acessibilidade a serem instaladas mas a primeira alteração a concretizar será a eliminação dos degraus que dão acesso ao quarto do casal, substituídos por uma rampa. As barreiras arquitectónicas deste género são, infelizmente, muito comuns - e reveladoras das chamadas barreiras intelectuais, como observa Clara Cidade, uma vez que se trata de algo simples que podia estar previsto desde o início.

Assim, no quarto do jovem está prevista a instalação de soluções como o PT Voz Activa, o PT Minha Voz ou o sistema TeleAula. O PT Voz Activa é um "software" desenvolvido conjuntamente com o Inov-Inesc Inovação e que permite o acesso de invisuais à Internet. O PT Minha Voz é "um produto de comunicação aumentativa" que começou agora a ser comercializado pela PT Comunicações.

Para a directora do gabinete para clientes com necessidades especiais, esta é uma "solução revolucionária" para pessoas que não conseguem verbalizar nada ou que têm problemas ao nível da estrutura comunicativa. A novidade está no "software" que reproduz com voz portuguesa as frases escritas num teclado virtual (que pode ser alfabético, silábico ou pictórico) - por exemplo, através de um rato especial manipulável pelo movimento da cabeça montado numa cadeira de rodas.

O TeleAula é um sistema que permite o acesso de crianças acamadas ou retidas em casa (ou no hospital) à sala de aula, através de videotelefonia sobre RDIS ou IP fixo (ADSL). Existem actualmente cerca de uma centena de alunos em regime de TeleAula em Portugal, sobretudo crianças vítimas de fibrose quística ou deficiência motora grave.

Outra solução a instalar na Casa do Futuro é o PT Conversas Voz, uma solução que permite a pessoas com surdez falarem com ouvintes: o surdo escreve o que quer dizer através de um telefone de texto e depois um "software" de TTS (Text To Speech) converte as frases em discurso falado; do lado do ouvinte, é necessária uma operadora, que converte o que é dito para texto. Segundo Clara Cidade, as soluções STT (Speech To Text) hoje existentes no mercado ainda estão muito limitadas quanto ao número de vocábulos reconhecidos. A fase inicial da experiência-piloto desta solução arrancou na semana passada.

No novo quarto dos avós, a construir de raiz, os visitantes poderão ver em funcionamento soluções como o PT Emergência - destinado a pessoas em risco, como os acamados sozinhos e as pessoas com deficiência motora e intelectual sozinhas - ou o TeleAlarme, o serviço de apoio domiciliário disponível 24 horas por dia para idosos sozinhos, que é fornecido pela PT Comunicações e pela Cruz Vermelha.

Noutras áreas da casa, também serão introduzidas soluções de acessibilidade, destinadas a uma população vasta: cegos e amblíopes, pessoas com mobilidade ou capacidade de manuseamento reduzidos (caso dos doentes neuromotores, por exemplo), surdos e pessoas com audição reduzida, limitados da voz (caso dos laringectomizados), pessoas com deficiências cognitivas, pessoas em risco - idosos ou pessoas com deficiência sozinhos -, com doença severa (acamados, em convalescença ou isolados) ou com deficiências comunicativas. Um exemplo simples poderá ser a instalação, na casa-de-banho, de torneiras acessíveis por pessoas com mobilidade reduzida.

Para concretizar tudo isto, a Casa do Futuro contará com vários parceiros tecnológicos, entre os quais a PT Comunicações, a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) - que, para Clara Cidade, "tem o 'site' mais inteligentemente acessível para pessoas com deficiência" -, a PT Inovação, o Inov-Inesc Inovação, a Anditec (empresa dedicada às tecnologias de apoio) e a TeleAlarme (participada da PT). Contribuirão também para tornar a Casa do Futuro acessível parceiros associativos, como a Liga Portuguesa dos Deficientes Motores, a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (Acapo), a Associação Portuguesa de Surdos e a Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social (Fenacerci).

Para que o projecto cumpra os seus objectivos, na opinião de Clara Cidade, seria bom, por exemplo, que a Acapo disponibilizasse para a Casa os mecanismos de simulação da ambliopia de que dispõe. Dessa forma, as pessoas sem essa condição poderiam experimentar - e não apenas ver e ouvir falar sobre - o acesso à Net de olhos vendados e sem utilizar o rato. Outro aspecto importante será a Casa passar a dispor de guias especializados nestas áreas da acessibilidade a fim de acompanharem os visitantes.

Fonte: Jornal Público
Data: 26/01/2004

 
     
 
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CERTIC conduz estudos para promover Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade em Portugal

O Centro de Engenharia de Reabilitação em Tecnologias de Informação e Comunicação (CERTIC) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro vai
conduzir um conjunto de estudos nos próximos dois anos com o objectivo de promover a Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade em Portugal.

Com as análises, o CERTIC pretenderá reflectir e avaliar a evolução registada nos últimos 30 anos na área da engenharia de reabilitação e de acessibilidade, mas também apresentar algumas orientações "que conduzam a um salto substancial do seu desenvolvimento em Portugal", refere-se num comunicado enviado à imprensa.

Os estudos serão divulgados online, num site recentemente criado para o efeito, disponível no endereço www.engenhariadereabilitacao.net, que entretanto já se transformou no ponto de encontro da maioria dos profissionais portugueses com formação em Engenharia e experiência em Reabilitação e Acessibilidade para Cidadãos com Necessidades Especiais.

Estes profissionais constituíram este mês um Grupo de Engenharia de Reabilitação onde se discutem, entre outros assuntos, a formação em engenharia de reabilitação e a possibilidade de criação a curto prazo de uma associação profissional no nosso país.

Com esta iniciativa, o CERTIC espera "dar um importante contributo para a afirmação da Engenharia de Reabilitação e de Acessibilidade", nomeadamente
ao nível da formação no ensino superior, na definição de estratégias de investigação a nível nacional, no exercício da profissão de Engenheiro de Reabilitação e na forma de trabalhar em Reabilitação em Portugal, salienta-se no comunicado.

Fonte: TEK
Data: 24/02/2005

 
     
 
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Sites líderes em acessibilidade certificados por Associação de invisuais

A Federação Nacional do Cego (FNB), associação de defesa dos invisuais nos Estados Unidos, anunciou ontem as primeiras entidades a quem atribuiu um novo selo online de aprovação intitulado Nonvisual Accessibility Web Application, criado para premiar os sites que mais esforços dedicam à acessibilidade na Web. Esta é mais uma iniciativa para facilitar a navegação na Internet a pessoas com dificuldades visuais, surgindo na sequência de medidas tomadas pela W3C, a Comissão Europeia e à semelhança de outras acções dinamizadas por entidades nacionais como o CERTIC.

No grupo de companhias e organizações nacionais reconhecidas pela NFB constam a Hewlett-Packard, a Wells Fargo e a Admnistração da Segurança Social dos EUA. O certificado significa que os sites foram organizados de forma a facilitar aos cegos a navegação e a realização de todas as tarefas online básicas recorrendo a equipamento poderoso de ampliação ou software de leitura em voz alta dos conteúdos visíveis no ecrã do computador.

Estas modificações simples ainda não estão disponíveis na maior parte dos sites da Web porque os designers e programadores se esquecem frequentemente dos milhões de pessoas que não podem ler por si próprias o texto, apesar de os especialistas reconhecerem que a situação tem vindo a melhorar.

No âmbito de uma lei federal com quase dois anos que exige que as agências governamentais e todos os seus fornecedores assegurem o mesmo acesso à informação online por parte dos deficientes do que as restantes pessoas, é cada vez maior o número de sites norte-americanos da Web que efectua melhorias na sua acessibilidade. As estimativas relativas ao preço de criação de um site da Web que respeite as regras de acessibilidade variam bastante.

Para certificar estes sites, a NFB realizou vários testes de desempenho de tarefas das funções primárias dos sites das organizações. Foi determinado que um utilizador invisual pode realizar as funções básicas dos sites utilizando pelo menos dois programas de acesso por voz ao ecrã. Como parte do programa de certificação, a NFB irá continuar a monitorizar estes sites para avaliar a sua acessibilidade empregando um sistema automatizado que detecta problemas potenciais para os utilizadores cegos.

A Federação espera gerar mais tráfego para os sites que ostentarem o seu selo de aprovação, o que poderá fazer com que mais negócios online satisfaçam os requisitos de acessibilidade necessários para a navegação dos cegos pela Internet. Até porque um grande número de pessoas com deficiência preferem realizar transacções online porque evitam ter que viajar e desfrutam de mais privacidade. Uma pessoa sem deficiência não se apercebe das alterações introduzidas pelos sites que respeitam a acessibilidade dos invisuais, uma vez que as modificações dizem sobretudo respeito ao código contido nos links e gráficos.

Este novo programa de certificação vem no seguimento da aprovação, no final do ano passado, pelo World Wide Web Consortium (W3C), consórcio responsável pela elaboração e aprovação de padrões da Web, da terceira série de regras em desenvolvimento no âmbito da Iniciativa para a Acessibilidade na Web (WAI) daquele organismo, com vista ao desenvolvimento de browsers e leitores de média que sejam mais fáceis de utilizar para as pessoas portadoras de deficiência. Também a Comissão Europeia elaborou uma comunicação sobre a acessibilidade dos sites públicos na Web, divulgada em Setembro de 2001.

Em Portugal, no mês de Dezembro de 2002, o Centro de Engenharia de Reabilitação em Tecnologias de Informação e Comunicação (CERTIC) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) solicitou à Alta Autoridade para a Comunicação Social que impulsione os órgãos de comunicação social a integrarem nos seus códigos de conduta o cumprimento de normas de acessibilidade aos conteúdos online, de forma a facilitar a sua consulta por parte de pessoas com deficiência. Antes, em 1999, a Assembleia da República tinha já aprovado em Junho de 1999 a Petição pela Acessibilidade da Internet Portuguesa.

Fonte: TEK
Data: 13/05/2003

 
     
 
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