CD-Rom

Os deficientes visuais têm agora um novo instrumento de formação na área das novas tecnologias de informação que permite uma aprendizagem em Windows e Internet,


Os deficientes visuais têm agora um novo instrumento de formação na área das novas tecnologias de informação que permite uma aprendizagem em Windows e Internet, através de um CD-Rom interactivo. "Olhar o Futuro" foi desenvolvido em parceria entre a Célula 2000, ACAPO - Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal e Universidade do Minho.

Joana Russo Belo

Olhar o futuro dos deficientes visuais através das novas tecnologias de informação. A ideia partiu da Célula 2000, no âmbito do apoio do Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência (SNRIPD), e traduz-se na prática num CD-Rom interactivo de formação para actualização de Windows e Internet para invisuais.

O método é simples. Basta introduzir o CD no computador e, automaticamente, a pessoa cega ou amblíope pode aprender a utilizar o computador na sua própria casa mediante as instruções de uma voz que explica, por exemplo, a utilizar o teclado, a navegar na internet ou a imprimir um texto em Braille.

Inovador em Portugal, este projecto pretende simplificar o uso dos computadores para os invisuais, "dotando-os de um instrumento de formação que permita colmatar carências e se adeque às necessidades de, por exemplo, não utilizarem o rato ou verem o cursor", explicou Manuela Cruz, directora da Célula 2000.

O CD-Rom "Olhar o Futuro" foi desenvolvido em parceria com a ACAPO - Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal e a Universidade do Minho, durante o ano de 2003, tendo em vista facilitar aos cegos o acesso a toda a informação de uma forma simples e eficaz.
"Muitas pessoas com este tipo de deficiência estão por vezes isoladas do mundo. Com esta formação podem participar em chats de conversação, podem estudar e obter uma série de oportunidades que antes não tinham", sublinhou a responsável.

Considerando que o acesso à informação é um dos principais problemas dos deficientes visuais, Manuela Cruz defende que este projecto abrirá mais uma porta no domínio da informática.

auto-formação sem sair de casa

Uma das mais valias do projecto "Olhar o Futuro", ontem apresentado na Célula 2000, é a auto-formação dos invisuais sem que haja necessidade de sairem de casa.
"Uma pessoa cega tem muita dificuldade em ser inserida na formação normal. Num contexto de aulas com mais dez ou quinze pessoas não consegue aprender, porque não conseguimos usar o rato. Não acompanhamos a formação a esse ritmo", referiu Leonardo Silva, da ACAPO.

Sublinhando que este CD-Rom "é um contributo forte" para o desenvolvimento das capacidades dos invisuais, o presidente da ACAPO destaca a importância no contacto com o mundo.
"Com este CD-Rom pretende-se fazer com que pessoas que não têm facilidade em aprender novas tecnologias - porque vivem no interior ou não têm meios - incentivando-a a iniciar-se na área da informática", lembrou.
O acesso à Internet facilita, por exemplo, aos invisuais treinarem e aprenderem em off site através do "Ler para Ver", fundamental para as pessoas cegas.

"É de extrema importância, porque o objectivo da ACAPO é permitir que a sociedade seja mais inclusiva para os deficientes visuais, numa sociedade que tende cada vez mais a ser de comunicação", fez questão de frisar Leonardo Silva.
Com o acesso à Internet, os deficientes invisuais podem retirar diversas vantagens: trabalhar através do tele-trabalho; gerir um negócio a partir de casa; participar em programas educativos on-line; enviar e receber correio electrónico ou participar em vídeo-conferências.

Recorde-se que no distrito de Braga existem cerca de dez mil deficientes visuais, entre pessoas cegas e amblíopes.
Segundo o Inquérito Nacional às Incapacidades, Deficiências e Desvantagens há em Portugal 135.430 pessoas invisuais.

Este CD-Rom surge assim da necessidade de uma actualização técnica constante e de um acesso a meios auxiliares para que os deficientes visuais não fiquem excluídos.
Tratando-se de um protótipo, este CD-Rom interactivo não será comercia-lizado.
Para "Olhar o Futuro", os invisuais podem contactar a Célula 2000 (Rua Monsenhor Ferreira, 71, em S. Víctor - 253 284690) e solicitar a sua reprodução mediante um preço simbólico, que rondará os 2,5 euros.


Fonte: TEK
Data: 26/ 01/2004

 
     
 
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Casa da Música:
Acessos de deficientes com nota média - provedor


O provedor dos Cidadãos com Deficiência da Câmara do Porto, João Cottim, afirmou ontem que a Casa da Música apresenta um nível médio de acessibilidade a pessoas com mobilidade reduzida.

Aquele responsável, que falava após uma visita à Casa da Música, referiu que este equipamento apresenta algumas barreiras, nomeadamente escadas interiores e exteriores e elevadores sem as medidas mínimas necessárias para a entrada de pessoas com cadeiras de rodas.

"Há um elevador com uma entrada de 91 centímetros, quando o ideal seria 1,20 metros, enquanto o balcão do bar, feito com uma peça única, é demasiado alto", disse o provedor.

João Cottim salientou, no entanto, que os responsáveis da Casa da Música manifestaram disponibilidade para, até Agosto, corrigir as anomalias detectadas.

Salientou também que, embora a entrada principal da Casa da Música seja feita a partir de uma escada exterior, há uma "alternativa digna" para as pessoas com mobilidade reduzida prevista.

"Ou seja, as pessoas com mobilidade reduzida não vão ter que entrar pela porta dos fundos", afirmou.

João Cottim manifestou-se "muito agradado" com a forma como foi recebido na Casa da Música.

"Nota-se que se começa a perceber que as questões da mobilidade são de todos e que são fundamentais para a qualidade de vida das cidades", afirmou.

O provedor apelou a uma "maior vigilância dos cidadãos sobre a construção de obras públicas e de espaços destinados ao público em geral".

João Cottim considera esta atitude "essencial" para atalhar as dificuldades que podem vir a surgir em termos de mobilidade, de forma que possam ser corrigidas antes que seja demasiado tarde.

Fonte: Lusa
Data: 24/03/2005

 
     
 
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Ensino especial à espera

No ano lectivo de 2003/2004, o Ministério da Educação (ME) gastou 3,8 por cento do seu orçamento global no apoio aos alunos com necessidades educativas especiais (NEE). Um investimento que representa um aumento de 20,7 por cento em relação a 2003. Para fazer face ao problema que afecta, de modo prolongado, 18 em cada mil alunos portugueses, a equipa da ex-ministra da Educação, Carmo Seabra, divulgou ontem um estudo com propostas para o próximo Governo. Entre elas estão a avaliação regular do trabalho, a adaptação dos materiais ou a criação de centros especializados e da Provedoria das NEE.

No documento, da autoria de Sofia Reis, Filomena Pereira e Leonor Moniz Pereira reconhece-se a "urgência" da revisão da legislação em vigor, já que o actual "quadro regulamentar" está "desactualizado" e "responde com pouca eficácia aos desafios do aprofundamento da integração".

Defendendo a necessidade de fixar "metas a curto, médio e longo prazo", o relatório apela a "uma avaliação qualitativa periódica ao conjunto dos apoios para as NEE" e sugere que o Plano Educativo Individual seja revisto, "de preferência anualmente".

Para reduzir a "enorme carência" de software educativo especializado, em língua portuguesa, o ME propõe a criação de acordos com universidades e empresas". A distribuição electrónica de material específico, como livros em Braille, a partir de um único ponto do país, é uma das hipóteses sugeridas quanto à adaptação dos manuais.

Como rectaguarda aos instrumentos já existentes, propõe-se a criação de "centros especializados" que "à distância ou presencialmente" procedam à supervisão e explicação de estratégias na área das NEE. Nestes centros estaria integrado um "hospital escolar", onde alunos finalistas fariam o seu trabalho junto destes jovens.

A "Provedoria das NEE" teria a função de "arbitrar conflitos entre os intervenientes" no processo e garantir que pais e alunos conheçam as alternativas do sistema. Entre as NEE, é o domínio cognitivo que tem maior prevalência, atingindo 9,3 em cada mil alunos.

Em 2003/2004, 6412 docentes foram destacados para dar apoio a 49 380 alunos com NEE, nas escolas da rede pública. As 49 CERCIS, 40 associações e 33 IPSS receberam 2970 alunos, apoiados por 642 professores. Um sistema que implicou um investimento de quase 206 milhões de euros do ME. O relatório defende a relação entre financiamento das instituições e objectivos e resultados obtidos. Embora destacando as vantagens de um sistema descentralizado - existente nos países nórdicos - em que a responsabilidade da gestão do apoio aos alunos com NEE é remetida para os municípios, o estudo não é claro quanto ao rumo a seguir em Portugal.

Fonte: Diario de Noticias
Data: 12/03/2005

 
     
 
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Novo "Software" Disponível


Graça Gerardo é professora de Português/Francês e diverte-se ao ouvir os alunos dizerem que a sua letra é a mais legível de todas as dos restantes docentes.


Graça Gerardo é professora de Português/Francês e diverte-se ao ouvir os alunos dizerem que a sua letra é a mais legível de todas as dos restantes docentes. A verdade é que a professora não escreve no quadro, como os outros, mas no computador - é cega e faz parte de um grupo de 400 pessoas que vão receber, até final de Fevereiro, um "software" pensado especificamente para portadores de deficiência visual.

Trata-se de um programa que interpreta a informação que um utilizador sem deficiência visual vê no ecrã e que, através de um sintetizador de voz, traduz esses dados em linguagem oral. Este tipo de programas já existia, mas a voz que saía da placa de som do computador era roufenha e metálica, para já não falar do sotaque que podia ser britânico ou português do Brasil, uma coisa "imperceptível", recorda a professora. Agora a voz é clara, feminina e chama-se "Madalena".

A responsável pela inovação é a Fundação Vodafone Portugal, que promoveu e financiou o trabalho de integração, recorrendo a empresas portuguesas como a Eletrosertec e o Instituto de Novas Tecnologias. Ao todo foram gastos 150 mil euros, mas "no futuro, haverá dinheiro para outras licenças", informa António Carrapatoso, presidente da Vodafone Portugal.

Em parceria com o Ministério da Educação, a Vodafone entregou ontem, em Lisboa, os primeiros "kits" a alunos e professores do ensino básico, secundário e superior. Ao todo serão distribuídas, até ao final de Fevereiro, 400 licenças a alunos e professores cegos ou com baixa visão, de todo o país, incluindo ilhas.

"O computador é a independência dos cegos", exclama a professora na EB 2,3 de Almeida Garrett, em Alfragide. Com ele, Graça Gerardo pode fazer as fichas, os testes, ler o jornal, aceder à Internet e procurar informação que lhe permita trazer inovações ao ensino das disciplinas que lecciona a mais de 180 alunos.

Cátia gostou da voz de "Madalena"

É com alguma expectativa que Cátia, 11 anos, aluna da EB 2,3 de D. João II, Santarém, espera por receber o sistema das mãos do presidente da Vodafone. Cátia gostou da voz de "Madalena" que "é melhor que a outra" que ouviu uma vez numa demonstração e que não a cativou. Apesar de nunca ter usado computador, espera que os professores a ajudem a tirar partido desta nova ferramenta.

Ana, 18 anos, aluna de piano da Escola Superior de Artes e Música, em Castelo Branco, trabalhava com um programa muito antigo e lamenta que o novo não se coadune com o computador que usa, mas "é um primeiro passo". O sistema vai servir sobretudo para pesquisar informação, acrescenta.

"Esta é uma resposta às necessidades específicas destes alunos e professores. Este projecto permite o desenvolvimento acrescido da literacia e uma maior integração", acentua a secretária de Estado da Educação, Mariana Cascais, recordando ainda que a proposta de alteração à lei do ensino especial, que está em discussão até ao próximo mês, procura a inclusão dos estudantes com necessidades educativas especiais no sistema de ensino regular.

O novo sistema de leitor de ecrã, que foi testado e verificado pela Associação Promotora de Emprego de Deficientes Visuais, poderá sair fora das portas da escola e ser utilizado por qualquer invisual português, aponta António Carrapatoso. "Devemos aproveitar as suas potencialidades", conclui.


Fonte: TEK
Data: 22/01/2004

 
     
 
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